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O “carry trade” é essencialmente equivalente a tomar um empréstimo em uma moeda fraca e com juros baixos, para investir os recursos em uma moeda forte e com juros altos. Ele raramente envolve empréstimos reais (ao invés disso, utiliza-se swaps e contratos futuros para gerar os mesmos fluxos sem efeitos sobre balanços, que geram necessidade de aporte de capital – este link explica muito bem a mecânica do processo), e é apontado como um dos culpados pelo agravamento que se seguiu à moratória russa em 1998 e à queda do LTCM. À medida em que a paridade entre as moedas não se modifica, isto é, se a moeda vendida permanece fraca e a moeda comprada permanece forte, o diferencial de juros dá um bom retorno. É claro que a relação de paridade da taxa de juros prevê que esse tipo de trade não é rentável: se a moeda com baixas taxas de juros se fortalece com relação à forte, como prevê a relação de paridade, pode haver pesados prejuízos para quem está fazendo o carry trade, pois ele está devendo em uma moeda que se fortalece e possui ativos em uma moeda que se deprecia. Como, no entanto, a paridade de juros não é válida, ao menos entre as maiores economias, o trade funciona por tempo o bastante para atrair bastante gente e gerar bons lucros. O risco, além disso, é que para desfazer a posição os traders devem comprar a moeda em que se financiaram e vender a moeda em que investiram. Caso o tamanho dos trades seja muito grande, o movimento sobre a taxa de câmbio pode ser grande o suficiente para gerar grandes perdas.
O carry trade mais realizado em 1998 era financiado em yens e investia
Medo
Não usei o termo “alerta” à toa na frase anterior: o medo é que em uma crise se repita o cenário de 1998, com a liquidez sumindo de todos os mercados por causa das perdas sofridas com os carry trades. Os riscos podem ser grandes ao ponto de afetar a política econômica dos países afetados: se realmente a moeda chinesa está sendo utilizada para financiar carry trades, há mais uma razão para o governo chinês evitar a flutuação da moeda, pois além do overshooting naturalmente esperado pela rigidez nominal, é provável que a apreciação fosse ainda mais longe por causa da corrida para fechar os trades abertos com o yuan, como ocorreu com o yen em 1998, que foi praticamente a única moeda se apreciando no mundo todo.
Assim, a importância prática do carry trade para os riscos da economia em 2007 está ligada ao tamanho dos trades. Como boa parte das posições são tomadas por fundos que não têm obrigações de disclosure de bancos comerciais e operam altamente alavancados, é praticamente impossível saber exatamente o tamanho do carry trade. O banco WachoviaPi Economics, por outro lado, acredita que o carry trade envolva algo como 1 trilhão de dólares. É provável que o número fique entre as duas estimativas. acredita, olhando para os fluxos de empréstimos, que o carry trade não é muito importante. Colocam um limite superior para o trade em US$440 bilhões, mas dizem que esse número o superestima grosseiramente; minha impressão, após ler o relatório, é que eles imaginam que o verdadeiro valor seja algo como US$200 bilhões. Tim Lee, da da Pi Economics, por outro lado, acredita que o carry trade envolva algo como 1 trilhão de dólares. É provável que o número fique entre as duas estimativas.
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Fonte: http://economiadasbananas.wordpress.com/

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